Harmonia é o ambiente para crescer

Condensado dos pronunciamentos que o Presidente Yutaka Imagawa fez, em nome do Conselho de Curadores, aos membros do Colégio Deliberante, na 62ª Assembléia Geral Ordinária da Fundação Ruben Berta

A aprovação do Colégio Deliberante para a constituição da holding FRB-Par Investimentos, braço controlador dos investimentos da Fundação Ruben Berta, iniciou um processo de modernização na estrutura acionária do Grupo Econômico.

O passo seguinte foi a cisão parcial da Rio-Sul, Tropical e VARIG e a criação de duas holdings: a VPTA – VARIG Participações em Transportes Aéreos e a VPSC – VARIG Participações em Serviços Complementares. Na posse dos Conselheiros de administração dessas duas novas empresas, o Conselho de Curadores ressaltou que essa reestruturação tinha como objetivo instituir uma significativa sinergia operacional entre as empresas do Grupo, integrando um processo que vise obter maior lucratividade e eficiência operacional, administrativa e financeira das empresas. O meio de se atingir esses objetivos será o foco de cada uma das empresas do grupo nas suas atividades, interagindo com as demais empresas do grupo e com maior visibilidade externa. Isso irá proporcionar maior flexibilidade e atratividade na captação de investimentos.

A FRB-Par existe para centralizar as atividades corporativas e estabelecer políticas e diretrizes que permitam a consolidação de atuação das diversas empresas de forma homogênea e estruturada, com visão de Grupo Econômico, e não empresa única.

Ainda em 1998, o Conselho de Curadores mostrava sua inconformidade com o desempenho das empresas – especialmente da VARIG – e cobrava os resultados de uma série de planos apresentados pela administração da empresa, visando a recuperação da rentabilidade. As metas estabelecidas não foram atingidas e o patrimônio foi diminuindo rapidamente.

Em 1999, a Assembléia Geral do Colégio Deliberante conheceu os motivos que levaram à substituição do Conselho de Administração da VARIG. E o sistema de governança da Fundação Ruben Berta demonstrou como funciona:

1 - A Fundação Ruben Berta, através do seu Conselho de Curadores – mandatário do Colégio Deliberante – exerce, como controladora, ação direta sobre o Conselho de Administração;

2 - Indica os membros deste Conselho e determina-lhe as diretrizes e objetivos que deseja alcançar, bem como os princípios que devem ser obedecidos na direção dos negócios – respeitadas as normas legais e societárias (cabe ao Conselho de Administração traçar as estratégias que possam atingir os objetivos propostos e nomear executivos capazes de executar as diretrizes traçadas);

3 - Não interfere na área executiva, mas monitora permanentemente o atendimento às diretrizes estabelecidas e os resultados esperados, orientando, se necessário, estratégias que tragam benefícios para a instituição.

E foi neste papel de acionista que o Conselho de Curadores alertou para os péssimos resultados da VARIG, que era administrada por executivos que de há muito faziam parte da sua estrutura organizacional e, como tais, responsáveis por esses resultados. Em quatro anos consecutivos, a principal empresa do Grupo acumulou um resultado operacional negativo de R$ 1,2 bilhões. Decorrido mais um ano, todas as empresas do setor aéreo do grupo apresentaram prejuízo, enquanto as outras tiveram pequenos resultados positivos.

Quando o Conselho de Administração da VARIG, analisando os resultados do ano anterior e as perspectivas para os próximos anos, resolveu substituir o principal executivo da companhia, usou da responsabilidade que a Lei das Sociedades Anônimas lhe confere. Constituído de pessoas conhecedoras das práticas empresariais, aquele Conselho apresentou esta solução como sendo a melhor para a obtenção dos resultados positivos, tão necessários para que a Fundação cumpra os objetivos para os quais foi criada. A decisão foi comunicada aos curadores a quem, como mandatários do Colégio Deliberante, cabe zelar por estes objetivos.

Um singular princípio de convivência harmônica e produtiva, comunhão de objetivos e busca de resultados satisfatórios, revela que este trinômio só é atingido plenamente quando a racionalidade se impõe à emoção e a determinação exorciza a acomodação.

Trilhar o caminho do êxito, alcançar o sucesso e consolidar as conquistas são alvos que perseguimos e dos quais não devemos nunca nos afastar, em nome das tradições da Fundação Ruben Berta e do legado de idealismo do seu criador.

Não fosse pela decisão firme do Colégio Deliberante e do Conselho de Curadores, a entidade já teria perdido o controle das empresas do Grupo – manifesto desejo de uma minoria ativa e barulhenta. Mas este novo mundo, globalizado e apequenado por um simples “click” no computador, nos leva a rever conceitos e valores, estabelecer adequadas relações de força e poder e a eleger um comportamento funcional e empresarial moderno, a fim de sobreviver e evoluir.

Cabe ao Colégio Deliberante – isento de sentimentos generosos ou ressentimentos pessoais – cobrar resultados, o atingimento de metas, melhoria de rentabilidade, de eficiência operacional. Seu compromisso com o desempenho favorável das empresas controladas não permite que silencie diante de insucessos, aceitando justificativas que não convencem a mais ninguém. Deverá questionar os executivos das empresas no mesmo diapasão com que estes exigem desempenho de cada um dos profissionais que lideram.

Ao Colégio e ao Conselho de Curadores, é vedado ser coadjuvantes num espetáculo em que atores interpretem papéis à feição pessoal, desconectados de um contexto. O palco está reservado para as estrelas – as empresas do Grupo –, porém não podemos abrir mão do proscênio, exigindo uma performance à altura da reconhecida competência do Conselho de Administração.

A mudança de cultura que estamos imprimindo não é um privilégio da Fundação, mas uma imposição do mercado. Grandes corporações, como Nissan, British Airways, Coca-Cola e Xerox, entre outras, abriram mão do concurso de seus presidentes justamente por não apresentarem resultados satisfatórios.

A modernidade precede e acompanha a consolidação de um sentimento de respeito e solidariedade ao qual devemos estar todos submissos, fortalecendo os laços de união que alicerçaram as origens da Fundação e permitiram à VARIG – empresa líder do Grupo – ultrapassar com dignidade mais de sete décadas de existência, superando dificuldades e sepultando individualismos.

Há um fator chamado racionalidade, que deve ser ressaltado como premissa para o êxito empresarial, e que, verifica-se com melancolia, não vem sendo percebido por um grupo do Colégio Deliberante. É um desperdício de talento, um equívoco perigoso e uma agressão à razão encarar as mudanças como retaliação ou desforra. É condenável e prejudicial aos interesses corporativos discutir questões pelos corredores, alimentar boatos e tentar transformar sofismas em verdades – quando o único fórum para discutir idéias, criticar ações e esclarecer mal-entendidos é o Colégio Deliberante –, assim como imputar ao Conselho de Curadores a atitude de legislar em causa própria. A ênfase deste Conselho em sua gestão – cujas decisões são sempre tomadas em nível colegiado – é a busca de resultados positivos que produzam rentabilidade e gerem lucro.

É dever do Conselho e do Colégio Deliberante exigir performances cada vez melhores das empresas que compõem o Grupo Econômico da Fundação. E durante a 62ª Assembléia Geral do Colégio Deliberante, ouvimos dos executivos profissões de fé no crescimento dos negócios, projeções de perspectivas e análises de comportamento. Mas, mais do que isso, ouvimos a determinação inabalável de somar experiências para acelerar o processo de recuperação de nossas atividades produtivas como um todo.

Este é o espírito de corpo que almejamos consolidar, em harmonia corporativa e em sintonia com as diretrizes maiores da Fundação Ruben Berta: procurar compatibilizar resultados econômicos e financeiros com as demandas sociais dos filiados. Com união, determinação, criatividade e perseverança, ajustaremos o foco e atingiremos o objetivo. Basta de crises. Harmonia e união são as palavras para manter o Grupo no rumo certo.