Não é preciso fazer grandes pesquisas para saber que no mundo moderno a maioria das pessoas está sacrificando preciosas horas de sono. |
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Atualmente, principalmente nas grandes cidades, quase tudo funciona 24 horas por dia: televisão, internet, lojas de conveniência, supermercados, restaurantes e até mesmo academias de ginástica, por isso tem muita gente devendo sono na praça. O que não é um bom negócio, uma vez que o débito vai se acumulando de forma matemática.
Algumas atividades, por características próprias, agravam ainda mais esta realidade. É o caso dos aeronautas. Por isso a Fundação Ruben Berta e o Grupo de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos da VARIG desenvolveram inúmeros estudos que tiveram como objetivo levantar o impacto das jornadas de trabalho na ocorrência de fadiga de vôo.
“Temos esta preocupação com os nossos tripulantes porque eles estão sujeitos a grandes jornadas de trabalho, muitas vezes em horários adversos: na hora de dormir, estão trabalhando; na hora de trabalhar têm que dormir”, explica o Diretor de Operações da VARIG, Eloy Jorge Binder, que foi diretamente envolvido com o grupo.
A fadiga de vôo atrapalha a capacidade de julgamento e a atenção. No caso da tripulação técnica, ela gera risco de acidente; no caso da tripulação de cabine, compromete a qualidade do atendimento ao cliente, além, é claro, de prejudicar a saúde do próprio funcionário.
Os estudos desenvolvidos pelo Serviço Médico da FRB tiveram como meta a elaboração de uma série de recomendações para todos os aeronautas da VARIG sobre como evitar a fadiga de vôo.
“Por mais bem feitas que sejam as regulamentações de vôo em todos os países, elas não legislam sobre o período de descanso dos aeronautas. Sendo assim, este é o papel do Serviço Médico, orientar como deve ser gerenciado o período de repouso para que ele seja eficaz e benéfico”, afirma o Gerente Geral Médico Hospitalar da FRB, Paulo Magalhães.
O lançamento do vôo diário a Tóquio, em junho de 1999, foi providencial para que a FRB levasse seus estudos às últimas conseqüências, testando uma série de ferramentas que determinam o grau de sonolência das pessoas. Por isso, as médicas Paula Brasil e Maria Sylvia Mixéu, do Serviços Médicos do RIO e SAO, acompanharam a tripulação em um dos primeiros vôos para verificar se os testes eram eficientes e auto-aplicáveis.
Para desenvolver um programa que consiste na aplicação dos testes e na apresentação de uma palestra para todos os tripulantes, Paula e Maria Sylvia reviram uma vasta literatura sobre o assunto, foram à França conhecer de perto os estudos e as conclusões do Laboratório de Antropologia Aplicada da Universidade de Paris e estiveram em Londres, numa reunião com os maiores pesquisadores do mundo em fadiga de vôo.
Até o momento, mais de 100 tripulantes técnicos já participaram da palestra que tem como objetivo divulgar as recomendações para evitar a fadiga de vôo.
O Gerente Geral do Serviço Médico, Paulo Magalhães,
explica que o ideal é que o tripulante proceda como se estivesse
na sua casa, de acordo com o relógio local da sua base, com o qual
está sintonizado seu relógio interno. “Isso
nem sempre é fácil quando se está com grande diferença
de fuso horário: sendo assim, para dormir melhor, é bom que
se crie um ambiente propício para o sono, utilizando alguns recursos
simples como: escurecer o quarto, desligar o telefone, a televisão
e o rádio”, diz Paulo.