A globalização trouxe alguns problemas e várias soluções para todo o mundo, entre elas a descoberta de que economia e bem-estar social são coisas que devem andar juntas. Esta lição foi aprendida por várias instituições que descobriram a importância de seu papel como agente social na comunidade.
Neste aspecto, uma ferramenta poderosa tem surgido no meio empresarial: o Balanço Social. Por este instrumento, as empresas prestam contas à sociedade dos seus gastos e seu comprometimento com programas que visem o bem-estar das pessoas. É algo que hoje tem funções de marketing corporativo, mas cuja tendência é se transformar em obrigação legal.
Na VARIG, o instrumento não assume este nome, mas está presente e bem explícito no Relatório Anual da Fundação Ruben Berta, onde são contemplados os principais indicadores do Balanço Social. Ao criar a Fundação Ruben Berta, a VARIG se antecipou em mais de 50 anos a uma tendência que vem sendo debatida no Congresso Nacional: é possível que em breve seja obrigatória a publicação do Balanço Social para empresas com mais de 100 funcionários uma forma indireta de fazer as empresas investirem em benefícios para seus empregados e para a comunidade. Caso isso se confirme, o Brasil será um dos poucos países do mundo (junto com França e Portugal) a ter esta legislação.
Segundo o diretor da Consultec, o consultor em gestão empresarial e estratégica Luiz Fernando Silva Pinto, que foi presidente da LBA e assessor do Ministério da Fazenda no Conselho de Desenvolvimento Social, outra característica importante do Balanço Social é a de proporcionar mais estabilidade no mercado às empresas que publicam este tipo de balanço, já que demonstram e comprovam atitudes que são simpáticas à população em geral.
Fundação mostra a sua cara a FRB, no Relatório Anual de 1997, deixa claro que seu desempenho voltado para satisfazer os principais indicadores do Balanço Social é a política e a própria razão de ser da entidade.
Na âmbito do Serviço Social, o total de atendimentos chegou a 63.157, envolvendo ações de promoção de Saúde, Integração Organizacional, Segurança Social, Educação e Economia Social, entre outras. Todos estes atendimentos mostram um crescimento acentuado desde 1993 até 1997, chegando a ser despendidos R$ 2,62 milhões na área.
No período, o Serviço Médico totalizou 271.010 atendimentos e 170.913 procedimentos, envolvendo familiares e aposentados. Só na clínica médica, foram 60.273 atendimentos a esposas e filhos de funcionários. Na clínica odontológica, este número foi de 15.704, e nos atendimentos de enfermagem, 17.503. Tudo isso representou um custo de mais de R$ 8 milhões. Com laboratórios conveniados foram gastos cerca de R$ 1,3 milhão, em 148.843 exames.
Apesar dos Auxílios não serem pagos pela VARIG, o beneficio é concedido pela FRB graças à filosofia da empresa de investir no bem-estar do funcionário filosofia esta que criou a Fundação. Foram investidos R$ 3,5 milhões em 1997 com medicamentos, aparelhos reabilitantes, auxílios médico-hospitalares e outros.
No que tange às Atividades Culturais e Desportivas, nas bases RIO, POA, SAO, REC, BEL, BSB, SSA, MAO, CWB, IGU e FOR cerca de 63.500 pessoas, entre funcionários, dependentes e familiares, usufruíram dos programas promovidos ou apoiados pela Fundação. No campo esportivo, estas bases tiveram atividades para 31.406 pessoas, com um gasto de cerca de R$ 2,5 milhões.
Os investimentos da FRB na área de Alimentação transcendem a simples prática de proporcionar refeições. Há um conceito de saúde preventiva que orienta a Gerência de Nutrição. Além disso, o preço cobrado do funcionário nos restaurantes B (que é o benefício contratado pela VARIG) R$ 0,30 por refeição lhes permitia fazer as três refeições diárias, durante 30 dias, pagando apenas R$ 27 por mês, o equivalente a 8,2% do piso salarial da VARIG. O funcionário que utilizou o tíquete no mesmo período foi descontado em R$ 28,90 por mês para fazer apenas uma refeição por dia, durante 22 dias. Hoje, o valor subiu para R$ 0,50, mas mesmo assim os ganhos de quem usa os restaurantes da FRB continuam enormes, já que simplesmente não existe controle de qualidade sobre o que é servido nos restaurantes comerciais.
Cada atendimento médico ou social, assim como cada refeição servida nos restaurantes da FRB, são pagos pela VARIG, como parte de sua política de bem-estar do empregado, afinada com a filosofia da própria Fundação Ruben Berta. Para o consultor Silva Pinto, com isso a empresa "tira uma fotografia dinâmica do transbordamento econômico e social da sua família corporativa". Isto é Balanço Social.